A Ordem da Missa
Então ele [Jesus] tomou o pão, deu graças, partiu-o e o deu a eles, dizendo: "Isto é o meu corpo, que será dado por vocês; façam isto em memória de mim".
Lucas 22:19
A Ordem da Missa
A Missa é a celebração sacramental mais importante da Igreja, e segue sempre uma ordem fixa que é universal em todo o mundo.
Esta página contém a descrição da "Ordem da Missa" com os vídeos correspondentes a cada parte da Missa.
Assista a este vídeo para a versão completa da Série Missa.
I. Introdução
Ritos:
Preparando-se para celebrar a Eucaristia
1. Canto de Entrada
A missa começa com a antífona de entrada e, às vezes, é precedida por um hino processional. Reunimo-nos como comunidade e louvamos a Deus em cânticos.
O celebrante e os demais ministros entram em procissão e prestam homenagem ao altar com uma reverência e/ou um beijo.
O altar é um símbolo de Cristo no centro da assembleia e, portanto, merece essa reverência especial.
2. Saudação
Todos fazem o Sinal da Cruz e o celebrante/sacerdote dirige uma saudação às pessoas reunidas, usando palavras das Escrituras.
3. Ato Penitencial
Segue-se o Ato Penitencial à saudação.
Logo no início da missa, os fiéis recordam seus pecados e depositam sua confiança na eterna misericórdia de Deus.
O Ato Penitencial inclui o Kyrie Eleison, uma frase grega que significa "Senhor, tende piedade". Esta ladainha relembra as ações misericordiosas de Deus ao longo da história.
Aos domingos, especialmente no Tempo Pascal, em vez do Ato Penitencial habitual, pode-se ocasionalmente realizar a bênção e a aspersão de água para recordar o Batismo.
4. Glória
Aos domingos, solenidades e festas, o Glória segue o Ato Penitencial.
O Glória começa ecoando a proclamação dos anjos no nascimento de Cristo: "Glória a Deus nas alturas!"
Neste hino antigo, a assembleia reunida une-se aos coros celestiais para oferecer louvor e adoração ao Pai e a Jesus por meio do Espírito Santo.
5. Oração Inicial (a Coleta)
Os ritos introdutórios terminam com uma oração inicial, chamada Coleta. Pedimos a Deus que ouça nossas orações.
O celebrante convida a assembleia reunida a rezar e, após um breve silêncio, proclama a oração do dia.
A oração coletiva reúne as preces de todos em uma só e dispõe a todos a ouvir a Palavra de Deus no contexto da celebração.
II. Liturgia da Palavra:
Ouvindo o Plano de Salvação de Deus
A maior parte da Liturgia da Palavra é composta por leituras das Sagradas Escrituras.
Aos domingos e solenidades, são feitas três leituras bíblicas. Durante a maior parte do ano, a primeira leitura é do Antigo Testamento e a segunda, de uma das cartas do Novo Testamento.
Durante o Tempo Pascal, a primeira leitura é extraída dos Atos dos Apóstolos, que narra a história da Igreja em seus primórdios.
A última leitura é sempre retirada de um dos quatro Evangelhos. Na Liturgia da Palavra, a Igreja alimenta o povo de Deus com a mesa da sua Palavra (cf. Sacrosanctum Concilium, n. 51).
As Escrituras são a palavra de Deus, escritas sob a inspiração do Espírito Santo. Nas Escrituras, Deus fala conosco, guiando-nos pelo caminho da salvação.
6. Primeira Leitura
Ouvimos a Palavra de Deus, geralmente do Antigo Testamento.
7. Salmo Responsorial
O Salmo Responsorial é cantado entre as leituras. O salmo nos ajuda a meditar na Palavra de Deus. Respondemos à Palavra de Deus em forma de cântico.
8. Segunda Leitura
Ouvimos a Palavra de Deus no Novo Testamento.
9. Aclamação do Evangelho
O Evangelho é introduzido por uma aclamação de louvor.
Fora do período da Quaresma, essa aclamação é "Aleluia", derivada de uma expressão hebraica que significa "Louvado seja o Senhor!". Cantamos "Aleluia!" para louvar a Deus pela Boa Nova.
10. Leitura do Evangelho
O ponto alto da Liturgia da Palavra é a leitura do Evangelho.
Como os Evangelhos narram a vida, o ministério e a pregação de Cristo, recebem diversos sinais especiais de honra e reverência.
A assembleia reunida se levanta para ouvir o Evangelho. Um diácono (ou, na ausência de um diácono, um sacerdote) lê o Evangelho.
11. Homilia
Após a leitura das Escrituras, o celebrante profere a homilia.
Na homilia, o sacerdote se concentra nos textos das Escrituras ou em outros textos da liturgia, extraindo deles lições que podem nos ajudar a viver vidas melhores, mais fiéis ao chamado de Cristo para crescer em santidade.
12. Profissão de Fé
Em muitas missas, a Profissão de Fé segue-se à homilia, seja o Credo Niceno ou o Credo dos Apóstolos.
O Credo Niceno é uma declaração de fé que data do século IV, enquanto o Credo dos Apóstolos é o antigo credo batismal da Igreja em Roma. Se as promessas batismais forem renovadas a partir de uma fórmula baseada no Credo dos Apóstolos, esta substitui o Credo.
13. Oração dos Fiéis
A Liturgia da Palavra termina com a Oração Universal, também chamada de Oração dos Fiéis.
A assembleia reunida intercede junto a Deus em favor da Igreja, do mundo e de si mesma, confiando suas necessidades ao Deus fiel e amoroso. Oramos por nossas necessidades e pelas necessidades dos outros.
III. Liturgia da Eucaristia: Celebrando a Presença de Cristo na Eucaristia
14. Apresentação e Preparação dos Presentes
A Liturgia da Eucaristia começa com a preparação das oferendas e do altar.
Enquanto os ministros preparam o altar, representantes do povo trazem o pão e o vinho que se tornarão o Corpo e o Sangue de Cristo.
O celebrante abençoa e louva a Deus por essas dádivas e as coloca no altar, lugar do sacrifício eucarístico.
Além do pão e do vinho, podem ser apresentadas ofertas em dinheiro para o sustento da Igreja e o cuidado com os pobres.
15. Oração sobre as Oferendas
A oração sobre as oferendas, na qual o sacerdote reza para que Deus aceite nosso sacrifício, conclui esta preparação e dispõe tudo para a Oração Eucarística.
16. Oração Eucarística
A Oração Eucarística é o coração da Liturgia Eucarística. Nessa oração, o sacerdote celebrante age na pessoa de Cristo como cabeça do Seu corpo, a Igreja. O sacerdote reúne não apenas o pão e o vinho, mas a essência das nossas vidas e os une ao sacrifício perfeito de Cristo, oferecendo-os ao Pai. Essa oração de ação de graças é o centro e o ponto culminante de toda a celebração.
Os principais elementos que constituem a Oração Eucarística podem ser distinguidos uns dos outros da seguinte forma:
a) A Ação de Graças (expressa especialmente no Prefácio), na qual o sacerdote, em nome de todo o povo santo, glorifica a Deus Pai e lhe dá graças por toda a obra da salvação ou por algum aspecto particular dela, de acordo com o dia, a festividade ou a época do ano.
b) A Aclamação, pela qual toda a assembleia, unindo-se às forças celestiais, canta o Sanctus (Santo, Santo, Santo). Esta aclamação, que constitui parte da própria Oração Eucarística, é pronunciada por todo o povo juntamente com o sacerdote.
c) A epiclese, na qual, por meio de invocações particulares, a Igreja implora o poder do Espírito Santo para que as dádivas oferecidas por mãos humanas sejam consagradas, isto é, se tornem Corpo e Sangue de Cristo, e para que a Vítima sacrificial imaculada a ser consumida na Comunhão seja para a salvação daqueles que dela participarem.
d) A narrativa da instituição e a consagração, pelas quais, por meio das palavras e ações de Cristo, se efetua o sacrifício que o próprio Cristo instituiu durante a Última Ceia, quando ofereceu seu Corpo e Sangue sob as espécies de pão e vinho, deu-os aos Apóstolos para comerem e beberem, e deixou a estes o mandamento de perpetuarem esse mesmo mistério.
e) A Anamnese, pela qual a Igreja, cumprindo o mandamento que recebeu de Cristo Senhor por meio dos Apóstolos, celebra a memória de Cristo, recordando especialmente a sua bendita Paixão, a sua gloriosa Ressurreição e a sua Ascensão ao céu.
f) A Oblação, pela qual, nesta mesma memória, a Igreja, em particular a que está reunida aqui e agora, oferece ao Pai a Vítima sacrificial imaculada no Espírito Santo. A intenção da Igreja, de fato, é que os fiéis não só ofereçam esta Vítima sacrificial imaculada, mas também aprendam a oferecer-se a si mesmos, e assim, dia após dia, sejam conduzidos, pela mediação de Cristo, à unidade com Deus e uns com os outros, para que Deus seja finalmente tudo em todos.
g) As Intercessões, pelas quais se expressa o fato de que a Eucaristia é celebrada em comunhão com toda a Igreja, tanto do céu quanto da terra, e que a oblação é feita por ela e por todos os seus membros, vivos e mortos, que são chamados a participar da redenção e da salvação conquistadas pelo Corpo e Sangue de Cristo.
IV. Rito da Comunhão:
Recebendo o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo
17. Oração do Senhor
O rito começa com a Oração do Senhor. Jesus ensinou esta oração aos seus discípulos quando eles perguntaram como orar (cf. Mateus 6:9-13, Lucas 11:2-4).
No Pai Nosso, as pessoas unem suas vozes para orar pela vinda do reino de Deus e pedir a Deus que supra nossas necessidades, perdoe nossos pecados e nos conduza à alegria do céu.
18. Sinal da Paz
Segue-se o Rito da Paz. O celebrante reza para que a paz de Cristo preencha nossos corações, nossas famílias, nossa Igreja, nossas comunidades e nosso mundo. Como sinal de esperança, as pessoas estendem aos que estão ao seu redor um sinal da paz de Cristo.
19. Cordeiro de Deus
No Rito da Fração, o celebrante parte o pão consagrado enquanto o povo canta o Agnus Dei ou "Cordeiro de Deus".
João Batista proclamou Jesus como "o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo" (João 1:29). O ato de partir o pão remete às ações de Jesus na Última Ceia, quando ele partiu o pão antes de dá-lo aos seus discípulos.
Um dos nomes mais antigos para a celebração eucarística é a fração do pão (Lucas 24:35; Atos dos Apóstolos 2:42, 46). Oramos por perdão, misericórdia e paz.
20. Comunhão
Antes de receber a Sagrada Comunhão, o celebrante e a assembleia reconhecem sua indignidade de receber tão grande dom. O celebrante recebe a Sagrada Comunhão primeiro e, em seguida, o povo se aproxima.
Aqueles que recebem a Sagrada Comunhão devem estar preparados para receber tão grande dom. Devem jejuar (exceto para tomar medicamentos) por pelo menos uma hora antes de receber a Eucaristia e não devem ter consciência de terem cometido pecado grave.
Como a partilha na Mesa Eucarística é um sinal de unidade no Corpo de Cristo, somente aqueles que estão em comunhão com a Igreja Católica podem receber a Sagrada Comunhão. Convidar outros presentes a receber a Sagrada Comunhão implica uma unidade que não existe. Aqueles que não recebem a Sagrada Comunhão ainda participam deste rito, rezando pela unidade com Cristo e uns com os outros. As pessoas se aproximam do altar e, curvando-se com reverência, recebem a Sagrada Comunhão. As pessoas podem receber o Corpo de Cristo na língua ou na mão. O sacerdote ou outro ministro oferece a Eucaristia a cada pessoa dizendo: "O Corpo de Cristo". A pessoa que recebe responde dizendo: "Amém", palavra hebraica que significa "Assim seja" (Catecismo da Igreja Católica, 2856).
Enquanto as pessoas recebem a Sagrada Comunhão, canta-se a antífona da comunhão. A unidade das vozes ecoa a unidade que a Eucaristia proporciona. Todos podem também dedicar algum tempo à oração silenciosa de ação de graças.
21. Oração após a Comunhão
O Rito da Comunhão termina com a Oração após a Comunhão, que pede que os benefícios da Eucaristia permaneçam ativos em nossas vidas diárias. Rezamos para que a Eucaristia nos fortaleça para vivermos como Jesus viveu.
V. Rito de Conclusão:
Indo adiante para glorificar o Senhor com nossas vidas.
22. Bênção Final
Durante os ritos finais, anúncios podem ser feitos (se necessário) após a oração depois da comunhão.
Em seguida, o celebrante abençoa as pessoas reunidas. Às vezes, a bênção é muito simples. Em dias especiais, a bênção pode ser mais elaborada.
Em todos os casos, a bênção é sempre trinitária: "Que Deus todo-poderoso vos abençoe, o Pai, o Filho e o Espírito Santo."
É no Deus trino e no sinal da cruz que encontramos nossa bênção.
23. Demissão
Após a bênção, o padre/diácono dispensa as pessoas.
Na verdade, a despedida dá nome à liturgia. A palavra "Missa" vem do latim "Missa".
Em certa época, o povo era dispensado com as palavras "Ite, missa est" (literalmente significando "Ide, ela — referindo-se a vós, a Igreja — foi enviada"). A palavra "Missa" está relacionada à palavra "missio", raiz da palavra inglesa "mission" (missão).
A liturgia não chega simplesmente ao fim. Os que estão reunidos são enviados para levar os frutos da Eucaristia ao mundo.
Vamos em paz, glorificando o Senhor com as nossas vidas.




